Uma moto com identidade própria, que quebra os paradigmas e inventa um novo conceito de como uma custom pode ser. Essa é a Kawasaki Vulcan S.

Estilosa, imponente, bruta, moderna e grandiosa. Na real, faltam adjetivos para qualificar esta Kawasaki Vulcan S. Ela é uma custom à parte, diferente das demais, que sai do padrão estipulado. O clássico visual cheio de cromados sai de cena, pois na Vulcan S a história é outra. Ao invés dos cromados, quase tudo é pintado de preto fosco, o tanque tem a pintura em tons modernos e atraentes, realmente lindo.

O painel é simples e funcional. Com um conta-giros analógico na parte superior e um display de LCD na parte inferior que disponibiliza diversas informações para o piloto: velocidade, hodômetro total e 2 parciais, indicador de condução econômica, consumo instantâneo e médio, autonomia e relógio.

O guidão é colocado para trás, deixando os braços em uma posição arqueada e confortável. O banco contribui para uma condução cômoda também, com bom apoio lombar e que coloca o tronco do piloto posicionado para frente, com espuma macia e a apenas 705 mm do chão, ou seja, pilotos de qualquer estatura não terão problemas. Porém, se para o piloto tudo vai bem, para o garupa a história é ao contrário. O espaço do banco é muito pequeno e o único recurso que ele tem para se segurar é uma pequena alça. Realmente, parece ser um padrão da indústria: vender as motos custom com péssimo espaço para o garupa para poder vender equipamentos e acessórios.

Ágil e versátil:

Para melhorar a ergonomia do conjunto, a Kawasaki oferece pedaleiras ajustáveis em 25 mm e manetes com regulagens de altura. As pernas ficam para frente, entretanto não incomodam em pequenas viagens. O escapamento é pequeno e fica bem escondido, diferente dos modelos clássicos, mas quer saber de uma coisa? Novamente isso não faz a menor diferença, pois a Vulcan S tem DNA próprio e quando o giro sobe, um encorpado ronco rouba a cena.

A Vulcan é equipada com um motor de exatos 649 cc, DOHC – com duplo comando de válvulas no cabeçote -, oito válvulas e arrefecimento líquido. É o mesmo dois cilíndros em paralelo da Versys 650 e da ER-6n, porém ele atua de forma diferente na Vulcan S. Tem modificações para entregar a potência de maneira distinta, com o foco não na potência máxima, mas sim nas médias e baixas rotações.

Motor de 649 cc gera 61 cv

Para muitos essa padrão de motor está na escala exata. Tranquilo e silencioso quando você deseja passear – e a moto convida para isso – mas forte o suficiente para você acompanhar a galera em algumas investidas por estradas mais rápidas. É um motor que empolga e não assusta, com seus 61 cv disponíveis a 7.500 rpm e 6,4 kgf.m a 6.600 rpm. Bem elástico, confiável e divertido, ele tem uma entrega de potência suave, mas que responde com contundência quando exigido. O torque agrada e anima o piloto.

O motor de dois cilíndros empolga na hora de acelerar, mas não assusta.

A vibração que o motor emana é quase que imperceptível, e ao contrário da maioria das custom maiores, este motor não transmite o calor para as pernas quando em velocidades baixas no trânsito urbano. Refrigerado a água, leve e compacto, o motor desta custom não é algo para ser admirado, ao menos visualmente, ao contrário de outros. O motor gira alto e empurra a moto com vigor enquanto o painel mostra a faixa vermelha em 9.500 rpm, mas o giro só é cortado quando o mostrador está em 10.000 rotações. O consumo médio ficou em 16,4 km/l e o tanque tem 14 litros, o que garante uma autonomia média para pequenas viagens. Mas uma moto desta classe poderia ser um pouquinho mais econômica, pois nesse nível está o consumo médio de motor muito maiores que ela.

Ciclística

A Vulcan S é uma moto ágil e versátil. Além de remodelar o conceito custom, a dirigibilidade que ela garante é de tirar o chapéu. Em baixa velocidade a maneabilidade é muito boa, o que facilita o uso no trânsito quando a exigência é passar nos corredores entre os carros. A reação da moto para trocas de direção em baixa velocidade é muito boa, parecendo até ser uma moto muito menor.

A dirigibilidade da Vulcan S é ótima.

A distância entre eixos é de 1575 mm e o chassis desenhado no estilo tubular, com duas barras periféricas, feito com aço garante uma ótima estabilidade em linha reta. Nas curvas encontramos a limitação dela, mas mesmo assim ela surpreende. O ângulo de caster é de 31º e o trail é de 120 mm.

O conjunto de suspensões é composto na dianteira por garfos telescópicos com curso de 130 mm e na traseira com uma balança com amortecedor único, com curso de 80 mm. O sistema traseiro é batizado de Uni Trak e conta com link e 7 regulagens na pré-carga da mola. Aí reside uma limitação desta custom. Com pouco curso na suspensão traseira, ela tem o setup sempre mais rígido para não dar final de curso e essa rigidez é transmitida ao piloto.

 

Disco simples na dianteira, com 300 mm e pistão duplo.

Para frear os 228 kg, a Kawasaki apostou no sistema da japonesa Nissin. Os freios são a disco, o dianteiro é um disco simples, com 300 mm e pistão duplo, já o traseiro é um disco simples de 250 mm e pistão duplo também. É um sistema de frenagem eficiente, tem uma pegada forte no dianteiro, mas o traseiro não transmitiu tanta confiança e quando exigido tendeu ao travamento, o que não ocorre por causa do ABS. Talvez a moto mereça uma atenção maior da fábrica para este item, ou precise de uma revisão mais atenta. Mas o conjunto não compromete e o ABS atua no tempo correto, evitando o travamento das rodas.

Freio traseiro a disco simples, com 250 mm

Ótima dirigibilidade

Uma Custom fora do padrão, essa é a Kawasaki Vulcan S. Uma moto que não se contenta em ser igual as outras. Ela é diferente, estilosa e eficiente. Oferece um conjunto bem acertado e divertido.

Ficha Técnica

 

Motor

 Tipo 4 tempos, 2 cilindros paralelos, arrefecimento a líquido
 Cilindrada 649 cc
 Diâmetro x curso 83,0 x 60,0 mm
 Taxa de compressão 10,8:1
 Sistema de válvulas DOHC, 8 válvulas
 Sistema de combustível Injeção eletrônica
Ignição Digital
Partida Elétrica
Lubrificação Lubrificação forçada (cárter semi-seco)

Chassi

Tipo Tubular com duas barras periféricas em aço de alta resistência, motor colabora com a estrutura
Curso da roda: Dianteiro 130 mm
Curso da roda: Traseiro 80 mm
Pneu: Dianteiro 120/70-18M/C 59H
Pneu: Traseiro 160/70-17M/C 69H
Caster (rake) 31°
Trail 120 mm
Ângulo de esterçamento (Esq/Dir) 35° / 35°

Dimensões

Comprimento total 2.310 mm
Largura total 880 mm
Altura total 1.100 mm
Entre eixos 1.575 mm
Altura mínima do solo 130 mm
Altura do assento 705 mm
Peso em ordem de marcha 228 kg (ABS)
Capacidade do tanque 14 litros

Transmissão

Transmissão 6 velocidades
Sistema de acionamento Corrente de transmissão
Relação de redução primária 2,095 (88/42)
Relações de marcha: 1ª 2,438 (39/16)
Relações de marcha: 2ª 1,714 (36/21)
Relações de marcha: 3ª 1,333 (32/24)
Relações de marcha: 4ª 1,111 (30/27)
Relações de marcha: 5ª 0,966 (28/29)
Relações de marcha: 6ª 0.852 (23/27)
Relação de redução final 3,067 (46/15)
Embreagem Multidisco, úmido

Suspensão

Dianteira Garfo telescópico de 41 mm
Traseira Uni-Trak com pré-carga da mola ajustável em 7 níveis

Freios

Dianteiro: Tipo Disco simples de 300 mm
Dianteiro: Pinça Pistão duplo
Traseiro: Tipo Disco simples de 250 mm
Traseiro: Pinça Pistão duplo

Performance

Potência máxima 61 CV / 7.500 rpm
Torque máximo 6,4 kgf.m / 6.600 r

AUTOR: JAN TERWAK - Revista Motonline: http://www.motonline.com.br/noticia/author/jan-terwak/